10 de outubro de 2010

"Não disparei um tiro na guerra!" - 2º Tenente Israel Rosenthal


Igualmente a todos os pracinhas brasileiros, o Tenente Israel Rosenthal é um herói de guerra, porém, diferente da maioria, não disparou sequer um tiro durante todo o conflito.

Aos 22 anos, em 1944, Israel Rosenthal apresentou-se como voluntário para a Segunda Guerra Mundial. Recém formado como dentista, nesse mesmo ano, Israel havia saído do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) como tenente. Já no ano seguinte, Rosenthal embarcou para a Itália junto ao 5º Escalão da FEB, onde esperava lutar por seu país, bem, ele lutou, mas não literalmente. Mesmo assim, Israel cumpriu a missão que havia sido lhe dada, servindo assim o seu país.

Judeu, o tenente Rosenthal não fazia idéia do que era feito contra os de sua religião pelos nazistas quando foi para a guerra, tomando conhecimento de tais fatos apenas quando retornou do conflito.

Segundo Israel, a viagem para a Itália foi assustadora, pois ele tinha medo de que o navio que o levava, o General Meigs, se deparasse com algum submarino inimigo, estes tão temidos pelo povo brasileiro. Dos 270 aspirantes de sua turma do CPOR, apenas 95 embarcaram com a última leva da FEB, que tinha como destino a cidade italiana de Nápoles. Rosenthal conta que todos os dias havia instrução de salvamento, para estarem preparados em caso de afundamento. A sua cabine no navio tinha 16 metros quadrados e hospedava 18 pessoas, dentre essas, Celso Furtado, economista e autor do livro "Formação econômica do Brasil", com quem fez amizade, que perdura até hoje. Conta Rosenthal que os soldados eram alimentados duas vezes ao dia, de manhã e à tarde.

Rosenthal era intérprete de iídiche, tinha a função de traduzir o que um sargento americano judeu dizia, era ele quem promovia diversão aos soldados, lutas de boxe e várias outras distrações. Maços de cigarros e baralhos são exemplos de prêmios dados aos soldados. Por essa razão, de ter uma função, pois era o tenente Israel que auxiliava o sargento americano, Rosenthal tinha direito a três refeições por dia, porém, não sentia muita e fome, e dividia a comida com seus companheiros.

Logo que chegou a Nápoles, com outro navio, Rosenthal foi a Livorno, e de Livorno a Staffoli, aonde chegou ao 11º Depósito de Pessoal da FEB. Lá a comida que recebeu foi toda enlatada, até o ovo era enlatado. No jantar, recebiam cigarros, fósforos e chocolate.

A primeira missão do tenente Israel, foi comandar um curso de direção de GMC (uma espécie de caminhão de transporte de tropas). Depois disso, tornou-se dentista da FEB, inicialmente eram ele e mais dois, depois de sua chegada, vieram mais três, somando o total de seis dentistas para 5,5 mil homens.

O trabalho no depósito era muito cansativo, Rosenthal conta que atendia cerca de 12 pessoas por dia, a situação era precária, não havia água corrente nem eletricidade, por isso, não tinha como esterilizar os equipamentos. Conta também, que uma vez fez uma cirurgia a meia-noite com a precária iluminação de uma lanterna, isso porque o irmão do paciente insistiu muito, Israel fez a extração do dente num frio de rachar, depois disso, começou a ganhar refeições especiais, em função de que o irmão do paciente, o sargento, era da cozinha, e havia ficado muito agradecido.

Rosenthal não seguiu carreira militar, atualmente, ajuda a cuidar e a zelar do patrimônio da Casa da FEB, que fica no Rio de Janeiro, no bairro da Lapa, rua das Marrecas, nº 35.



Galeria de Fotos:
(Clique nas fotos para visualizar no tamanho original)

O Tenente Rosenthal (segundo da esquerda para a
direita, sentado) com amigos na Itália

Rosenthal e amigos no acampamento
na Itália

Rosenthal e companheiros em Paris, durante folga

O Tenente Rosenthal posa para
foto na França

Fonte: Revista Grandes Guerras, Edição 29, junho de 2009.
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