Data de Nascimento: 28 de Junho de 1922
Endereço atual: Rua 2.300, nº 297 – Edifício Bourbon de Nápolis – Apto. 704 – Centro - CEP: 88.330-428 – Balneário de Camboriú-SC. – Telefone: (47) 3367-4367 – e-mail: Danidoubrawa@hotmail.com
Pais: Norberto Kretzer e Ottilia Kretzer
Irmãos: Vendolino, Elza (única viva), Arnoldo e Elfrieda.
Estado civil: Viúvo de Gertrudes Kretzer
Filhos: Errol, José Norberto, Ivo, Rubens, Sérgio Luiz e Giovana
Netos: 13, bisnetos 5
“Minha função na guerra era de organizar, levar e buscar correspondências por toda região norte da Itália. Terminada a guerra, assisti naquele dia a rendição nazista e pude até ouvir as vozes do nosso General Olympio Falnonière da Cunha bem como do Comandante alemão por eu estar a uns dois metros deles”.
Dito pelo Soldado Fridolino Irineu Kretzer em relação a rendição da 148º Divisão de Infantaria alemã.
Sua infância: Em casa com seus pais e irmãos, recebiam lotes de folhas de tabaco, onde faziam a classificação e empacotamento, devolvendo à empresa, de onde obtinham o sustento da casa.
Início da fase de adulto: Com 18 anos de idade ingressou no “Tiro de Guerra”, jurisdição militar do Exército Brasileiro que oferecia aos seus integrantes toda orientação necessária para exercer uma vida de cidadão e ao mesmo tempo cumprir com os deveres da Pátria. Permanecendo nesse exercício por um ano, recebeu a “baixa”, contemplado com a Carteira de Reservista de Segunda Categoria. Sabe-se que na época, quem ingressava no Quartel do Exército, deveria permanecer até completar os 23 anos de idade, embora o alistamento era obrigatório com apenas 21 anos. E o que mais desejava, ao sair do Tiro de Guerra, era voltar à vida livre, pois queria buscar a profissionalização. Portanto, ao sair do Tiro de Guerra, começou a trabalhar como tecelão na Tecelagem e Malharia Indaial. Mas sua liberdade durou pouco. Estando em casa, era Dezembro de 1942 quando o Exército Brasileiro lhe entregou uma carta, solicitando sua apresentação na unidade militar de Blumenau.

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O soldado Fridolino Irineu kretzer em Roma com aompanheiros |
Durante a viagem procurava-se descontração e o que mais se fazia era cantar. Uma das músicas que se cantava era do cantor Vicente Celestino, cuja letra dizia: “Tornei-me um ébrio...” Vez por outra, o apito do trem interrompia a cantoria, pois parecia que o maquinista queria compartilhar da alegria e tristeza ao mesmo tempo. Ele sabia bem que estava transportando tropas militares, com destino à guerra. O tom da buzina parecia estar saudando como uma mensagem que dizia: “Sigam com fé que eu aqui fico orando por vocês – Adeus.” Chegando em Curitiba, os soldados foram levados por viaturas militares até o 15° Batalhão de Caçadores (hoje 20° Batalhão de Infantaria Blindados – Bairro Bacacheri), onde permaneceram por duas semanas. Partindo dali, seguiu-se rumo ao Quartel do 6° Regimento de Infantaria, em Caçapava, São Paulo. Lá foram incorporados à esta unidade militar por alguns meses. Durante três meses, receberam puxados treinamentos. Lá o Soldado Fridolino foi integrado na Companhia de Metralhadoras, treinando num Obus 105 mm, na função de atirador. Num certo dia, os soldados foram convocados para seguir através de trem até o Rio de Janeiro, onde participaram de um desfile cívico na Avenida Getúlio Vargas e depois regressaram à Caçapava, para continuar os treinamentos. Em breve, veio a notícia de que todos os soldados deveriam embarcar novamente ao Rio de Janeiro. Lotaram o trem e lá no Rio, todos ficaram instalados na Vila Militar por bastante tempo. Certa ocasião, veio um Capitão à procura do soldado Fridolino, e logo foi transferido para a função de “estafeta”, cuja atividade era de operar todo serviço de correspondência no Quartel General. Essa tarefa fez muitas vezes ainda na região carioca. Antes de embarcar para a Itália, o soldado Fridolino conseguiu nova licença de 10 dias para vir à Indaial para a despedida em definitivo. Chegando a hora de partida à guerra, o passaporte estava pronto. Havia chegada a hora do embarque. De trem, os soldados foram levados até o Porto do Rio, onde embarcaram no navio americano US. General Meigs, o qual partiu em 23 de Novembro de 1944, levando o 4° Escalão, com 4.695 integrantes até o Porto de Nápoles(Itália). Nesta viagem de 15 dias tiveram mais descanso do que atividades. Como refeição, na ida, eram apenas duas apenas a cada dia – café e janta. O processo era de racionamento como forma de precaução, caso devessem ficar no mar por mais tempo. Chegando em Nápoles, todos foram transferidos para outras embarcações (lanchas grandes), sendo levados até o Porto de Livorno e de lá para o acampamento, onde foram incorporados ao 4º Corpo, do 5º Exército Americano. Chegando lá, o soldado Fridolino continuou na função de “estafeta”, organizando, levando e buscando correspondências por todas as regiões italianas onde haviam postos militares brasileiros, americanos e ingleses. Apesar da hostilidade da guerra, houve bons e maus momentos. O que mais sensibilizou os brasileiros foi a miséria que o povo civil italiano sofria. Algumas vezes os brasileiros acabavam cedendo de suas alimentações aos esfomeados.
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Fridolino Kretzer no 6º Regimento de Infantaria de Caçapava - SP |
Os soldados brasileiros acabaram por receber dos americanos novas fardas, armamento, munições, rações e treinamentos intensivos. A baixa temperatura foi um dos maiores inimigos dos soldados brasileiros vindos de um clima tropical. Fatos marcantes foram de se ver soldados gravemente feridos e outros mortos. Um dos fatos interessantes foi de que o soldado Fridolino teve a oportunidade de estar apenas 3 metros de distância dos oficiais brasileiros e alemães, no momento em que o Tenente-General Otto Fretter-Pico(comandante nazista) oficialmente fazia a rendição incondicional da 148ª Divisão alemã. Comenta que pode até ouvir os detalhes de suas conversas. Na Itália, após a guerra ter terminada, houve um desfile da Vitória Brasileira, ocasião em que os saudosos soldados foram aplaudidos pelo povo italiano que margeavam as ruas. A volta aconteceu em contingentes escalonados, quase da mesma forma como foi a ida. O 4º Escalão em que estava o soldado Fridolino ancorou no Porto do Rio de Janeiro em 19 de Setembro de 1945. Cada Escalão que chegava no Rio, apresentava-se em desfile ao público e eram aclamados como verdadeiros Heróis nacionais. Como se sabe, a FEB foi extinta ainda na Itália. Chegando todos no Brasil, foram feitos os acertos finais com cada soldado e consequentemente o retorno para casa em definitivo.
Acabou a guerra. A vida continuava: Retornando a terra natal, reintegrou-se na Tecelagem e Malharia Indaial. Casou-se, teve seis filhos. Teve um único emprego no qual permaneceu por 42 anos em seu ofício como Mestre de Turma. Durante muitos anos vem participando com seus colegas Veteranos da FEB em desfile cívico, continuando a glória que trouxeram para o Brasil. Mais tarde Fridolino aposentou-se, permanecendo ainda em Indaial por alguns anos, vindo morar mais tarde em Jaraguá do Sul, próximo de seus filhos. Em 1997 ficou viúvo. Assim, ficou em sua casa, conduzindo sua vida por 11 anos em Jaraguá do Sul , quando em Julho de 2009, achou conveniente residir com sua filha em Balneário de Camboriú, onde encontra-se em gozo de boa vida que merece.
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As armas retidas após a rendição incondicional da Alemanha |

Painel
Soldado Fridolino Irineu Kretzer
"Minha Função na guerra era de organizar, buscar e entregar correspondências em todos os postos militares da região norte da Itália.Esta tarefa chamava-se "estafeta". Para o serviço me deram um Jeep Willys MB Americano. Eu tive muito medo de ser surpreendido pelos italianos "carabineiros" que eram Fasci/Nazistas e podiam me atacar, roubar a farda para fazer sabotagens. Tive medo também de ataques aéreos e artilharia inimiga. As orações e pensar na família me deram coragem e tudo deu certo.".
Carta de Gratidão
Carta de gratidão de Ivo Kretzer ao pai, Fridolino Kretzer
Recordo-me da minha infância sobre as histórias que meu pai contava à seus amigos, o que me fascinava muito. A imaginação que eu fabricava pelos fatos que ouvia de suas aventuras, levava-me a viver sonhos que pareciam realidades. Suas narrações sobre a guerra acabaram por me inspirar à aviação. Isso aconteceu quando eu tinha apenas doze anos quando, permanecendo por perto e muito atento, ouvia a conversa que meu pai tinha com um grupo de vizinhos que o visitaram e ele contou ter visto um grande esquadrão de aviões Boeing B-17 passarem sobre sua cabeça no momento em que ele estava em um acampamento inglês, onde havia levado correspondências. Com o que ouvi criei um fascínio por aviões e o meu entretenimento começou com um pequeno avião, feito de madeira que fabriquei e, brincando, simulava aquela passagem tão dramática. Hoje tenho como hobby colecionar réplicas de aviões da Segunda Guerra. A meu pai, devo toda honra, além de carinho e respeito. Ele merece nossos aplausos pela sua coragem, determinação, disciplina e patriotismo, pois a ele confere o caráter de um cidadão brasileiro e pai de família brilhante que é. O meu apego às histórias da FEB permaneceu na alma e desde o ano 2002 estou integrado e venho com muita vocação, junto com a Fundação Cultural de Jaraguá do Sul liderando a continuidade das memórias da FEB naquela comunidade. Como brasileiro e filho de um Herói de Guerra, não limitarei esforços para dedicar-me a essa causa. Sinto-me honrado por ter um pai que ajudou a recompor a democracia na terra de nosso querido Brasil.
A ele a minha gratidão.
Ivo Kretzer
ANVFEB
Secretário Executivo da
Seção Regional – Jaraguá do Sul – SC
Galeria de Fotos
(Clique nas fotos para visualizar no tamanho original)
Observação: Nas fotos da época da guerra em que o Soldado Fridolino Irineu Kretzer aparece junto de mais pessoas, ele é apontado com uma seta.



3 comentários:
Contribuições de homens como o sr.Fridolino, ajudaram a moldar com braço forte o nosso Brasil e o papel desta nação no mundo. Que grande Emoção conhecer este herói.
De- Fernando Xabregas.
Local - São Paulo/SP.
que grande merito do soldado fridolino, e uma bela vida tambem, muito digna e cheia de honra.Ele lutou pelo brasil, mas tambem pelo mundo inteiro, na mais tenebrosa epoca da historia da humanidade,sou paraense e daqui do pará nossas saudações a esse heroi nacional :)
Grande pracinha Fridolino Irineu Kretzer. Havia lido em alguma matéria que ele era fluente em alemão. E que servirá de interprete entre o comando brasileiro e alemão na Itália no começo de 1945. Abraços desde Florianópolis. Rubens Leffer de Liz Santos.
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