22 de setembro de 2010

O Triunfo da Indústria


Incapaz de repor as aeronaves abatidas e de rivalizar com os Aliados após o engajamento maciço dos Estados Unidos na guerra, a Luftwaffe entra em colapso
Linha de montagem norte-americana:
 mulheres trabalham nos narizes de bombardeiros
A-20, em 1942, em fábrica na Califórnia

No início de 1942, quando nem em seus piores pesadelos Hitler imaginava uma derrota na guerra, alguns pontos fracos da Alemanha começavam a aparecer. Usando os primeiros bombardeiros pesados quadrimotores, A RAF atacou as cidades de Lübeck e Rostok. Para o Führer, ainda se tratava de uma retaliação à Batalha da Inglaterra e ele ordenou uma resposta imediata.

A ofensiva começou pela históriaca cidade de Bath e continuou por Norwich, Exeter, York, Hull e Birmingham - todas cidades escolhidas pelo ditador ao ler um guia de turismo britânico. Mas com muitas baixas e sem um bom bombardeiro pesado, os ataques alemães à Inglaterra logo cessaram, com exceção de uma rápida série de incursões sobre Londres no começo de 1944.

O episódio demonstrava que havia falhas na proteção ao território alemão e problemas para repor as aeronaves abatidas. Situação que ficou ainda mais evidente a partir de maio de 1942, quando a RAF montou o "Ataque dos Mil Bombardeiros" contra Colônia e Hamburgo. Logo depois, aviões americanos de grande porte começaram a decolar de bases inglesas para ataques diurnos, a princípio, na França ocupada, Bélgica e Países Baixos. A defesa nazista teria de funcionar 24 horas por dia e numa larga extensão de terra - o que exigia esforços tremendos de suas forças.

Para impedir a invasão inimiga, a Luftwaffe reforçou a frente ocidental com 400 caças noturnos e 200 diurnos, apoiados por 1,1 mil canhões antiaéreos. Muitas dessas aeronaves sairiam de outros campos de batalha, que ficaram enfraquecidos. Por mais qua a indústria acelerasse a produção, não haviaaviões sufucientes. A entrada da força industrial americana, que enviava seus próprios equipamentos e abastecia a Inglaterra e a União Soviética, mudou a cara do conflito. A inferioridade numérica alemã aumentou ao longo da guerra. Em junho de 1942, a Alemanha possuía 3,7 mil aeronaves, contra 11,6 mil dos Aliados. Um ano depois, 4,6 mil aviões da Alemanha enfrentavam 23,3 mil dos adversários. Pior: modelos como o Bf-110 e os Stukas já estavam obsoletos e seus substitutos, o bombardeiro He-177 e o caça de longa distância Me-210/410, ainda possuíam problemas de desenvolvimento.

Na Defensiva
Mesmo com todos os percalços, a Alemanha conseguia impor baixas severas aos Aliados. Quando os Estados Unidos tentaram atingir as fábricas de aviões em Regensburgo e Schweinfurt, em agosto e outubro de 1943, perderam cerca de 60 aviões em cada missão, o que obrigou a 8ª Força Aérea do Exército americano a rever sua estratégia. Na chamada Batalha de Berlim, entre novembro de 1943 e janeiro de 1944, 384 aeronaves da RAF foram derrubadas em 14 ofensivas sobre a capital alemã. Três meses depois, os ingleses ficaram sem 95 dos 795 aviões que se lançaram contra Nuremberg. Parecia que a defesa estava em vantagem.

Mas a impressão era falsa, já que essa proteção exigia o sacrifício enorme. "Entre janeiro e abril de 1944, nossa força de caças diurnos perdeu mais de mil pilotos, e entre eles estavam nossos melhores pilotos. Nossas forças estão em vias de entrar em colapso", admitia o general Adolf Galland, líder dos pilotos de caça. A maioria das perdas era causada por uma nova arma americana: os caças de escolta P-47 Thunderbolt e P-51 Mustang. A resisitência nazista no flanco sul (Itália) também foi árdua. Embora com um poderio muito menor, a Luftwaffe derrubou 438 aeronaves aliadas e perdeu 176, atrasando o avanço inimigo.

O avião a jato Messerschmitt Me-262, que poderia ser uma saída para os alemães, demorou a entrar em operação. Por ordem de Hitler, a produção da aeronave foi atrasada para que ela fosse transformada em um caça-bombardeiro. Quando os Aliados desembarcaram na Normandia, em junho de 1944, a Luftwaffe só dispunha de 30 aeronaves Me-262 e nenhum piloto ainda havia completado o treinamento. Apenas em fevereiro do ano seguinte, o primeiro grupo de dez aeronaves desse tipo entrou em operação. A performance dos jatos era excelente - tecnologia que influenciaria os Estados Unidos e a União Soviética durante a corrida armamentista da Guerra Fria -, mas incapaz de reverter a situação. A infra-estrutura bélica alemã já havia entrado em colapso.

Os ataques anglo-americanos dividiam-se entre refinarias, grandes metalúrgicas e cidades situadas em complexos industriais, como o que lançou 650 mil bombas e matou mais de 100 mil pessoas em fevereiro de 1945, no controverso ataque à cidade de Dresden. Mesmo conseguindo fabricar mais aviões - até abril de 1945, a Messerschmitt havia apontado 1,2 mil Me-262 -, eles não chegavam ao front, pois estradas e ferrovias funcionavam precariamente e o estoque de combustível era insuficiente. Com aérodromos destruídos, não havia lugar para treinar pilotos novatos, que poderiam substituir os mais experientes, mortos nas batalhas. A máquina estava derrotada, com um saldo trágico para a Luftwaffe: 100 mil aeronaves perdidas, 320 mil homens mortos e 230 mil feridos, entre 1939 e 1945.

Fonte: Revista Grandes Guerras - Edição 26 - Dezembro 2008


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