27 de setembro de 2010

Roubada a herança artística da Europa


A espantosa descoberta da mina Kaiseroda motivou uma visita do comandante supremo das Forças Aliadas, Dwight Eisenhower, acompanhado de quatro dos seus generais, incluindo George Pattom. Ao recordar a sua primeira visão dos preciosos quadros, este oficial impulsivo escreveu: "Aqueles que vi valiam, em minha opinião, 2 dólares e meio, e eram do gênero dos que normalmente se vêem nos bares da América." Outros tinham opinião diferente, pois na coleção figuravam obras de Renoir, Ticiano, Rafael, REmbrandt, Dürer, Van Dyck e Manet (acima). Mas até estes expoentes artísticos ficavam ofuscados pela mais valiosa obra de arte de toda Alemanha, o famoso busto da rainha Nefertite do antigo Egito, com 3.000 anos. E mais tesouros foram encontrados em outras minas das proximidades.

Os nazistas tinham acumulado vastos patrimônios artísticos confiscados aos cidadãos e aos museus dos países conquistados. Aparentemente, inúmeras obras de arte foram destruídas durante a conflagração, mas muitas outras foram delvolvidas aos seus proprietários graças ao esforços das equipes de curadores dos Departamentos de Estado e da Defesa dos Estados Unidos. Milhares delas, porém, nunca foram encontradas, e uma compilação recente feita em Munique dá como desaparecidas cerca de 4.000 pinturas européias.

O roubo dos tesouros artísticos de um país derrotado é tema bem conhecido que se repete ao longo da História, já registrado nos anais dos exércitos da Assíria, Egito, Grécia e Roma e seguido pelas campanhas de Napoleão e nas conquistas coloniais britânicas. Os imponentes pilares de pórfiro vermelho de Santa Sofia, em Istambul, por exemplo, foram roubados da Persépolis persa pelos conquistadores romanos. Os famosos quatro cavalos no alto da Catedral de S. Marcos, em Veneza, retirados para evitar os danos da poluição, foram saqueados de Constinopla.

Em 1907, a Convenção de Haia sobre Direito de Guerra Terrestre permitiu espressamente "o salvamento de tesouros de todas as zonas de batalha", mas os vorazes oficiais nazistas excederam todos os limites ao retirar milhões de dólares de objetos artísticos dos países subjugados. Alguns desses objetos foram expostos em museus alemães, mas outros foram armazenados em locais secretos ou levados para decorar as casas opulentas dos membros da "corte" de Hitler.

Entre as unidades especiais de confisco, incluía-se a altamente eficiente Bildene Kunst (Belas-Artes), que contava com 350 bibliotecários, arquivistas e historiadores de arte, cuja missão era registrar e catalogar os valiosos objetos espoliados, engradá-los para evitar danos durante o embarque e, em muitos casos, encotrar-lhes esconderijos quando o Terceiro Reich começou a desmoronar. É possível que algumas dessas obras de arte nunca venham a ser encontradas, porque muita da documentação relativa aos objetos escondidos perdeu-se ou foi destruída durante os últimos dias de combate da II Guerra Mundial.


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